Nos últimos quinze dias tenho precisado me concentrar muito no trabalho para cadastrar produtos em uma loja virtual. Faço isso muito melhor e mais rápido escutando música, então há uns quinze dias tenho ouvido música (de vários gêneros pois sou bem eclético) umas oito horas por dia.
Lá pela quinta feira da semana passada, na minha costumeira meditação do meio-dia, estava a observar o tráfego intenso nas vias marginais da BR 101. Mente serena, calma, tudo certo, somente o trânsito caótico, como caótica é a própria vida.
Percebi então que a música certa para cada momento é exatamente o som que estiver acontecendo nesse determinado instante, seja ele qual for. O ruído de uma cachoeira é a mais perfeita das músicas para quem está lá. O coachar dos sapos e o cri-crilhar dos grilos também. O som longo, bucólico e monótono das cigarras também é uma maravilhosa música para os ouvidos que estão no momento presente.
Da mesma forma, pode parecer insano, mas o barulho dos carros, motos, caminhões e sei-lá-o-quês que transitam desabestadamente pela rodovia também compõem uma bela melodia! Sim, o barulho de uma rodovia é a própria música da rodovia. Está perfeito assim. Com cheiro de diesel queimado, palacas de freios e pneus fritando, de brinde.
Para os que acham simplesmente impossível que o insuportável barulho de uma rodovia seja uma bela música, recomendo tentar aceitar a vida como ela é e as coisas como são a cada momento, mesmo que o trânsito caótico nos cause taquicardia. Foi assim que percebi que a música da rodovia é perfeita do jeito como é. Como toda música, ela exprime um momento, um sentimento (mesmo que seja a pressa, intolerância e impaciência) e ao re-escutar a música nosso corpo sente e reproduz este sentimento.
Se alguém quiser, posso gravar um MP3 com uma hora de barulho da rodovia. Pode ser uma meditação bem interessante... :)
terça-feira, 17 de abril de 2012
Acorde, Bodhisattva!!
Um irmão no Dharma a quem devo o maior respeito comentou comigo há cerca de dois anos:
- Flávio, você é um verdadeiro Bodhisattva.
Infelizmente não pude retribuir a este irmão no Dharma à altura de suas expectativas por uma série de fatores que agora não vêm ao caso, e sinceramente sinto muito por isso até hoje. O importante é que esta ideia - você é um Bodhisattva - permaneceu sendo ruminada em minha mente, até que há alguns dias tive um insight muito intenso sobre este assunto e "caiu a ficha".
Todos nós somos Bodhisattvas. Todos nós somos Buda. De verdade. Apenas não acordamos para isso ainda. Estamos com o foco nas árvores e por isso não conseguimos ver a floresta.
Por isso, toda vez que minha mente começa a divagar e se enrolar em seus tradicionais emaranhados do tipo "e se acontecesse tal coisa" eu me lembro da frase: "Acorde, Bodhisattva!!" e rapidamente retorno para o aqui-agora. Afinal, como qualquer pessoa, eu sou um Bodhisattva e tenho muito mais o que fazer do que desperdiçar minha energia mental em labirintos ilusórios inúteis.
Fica meu profundo agradecimento a este grande irmão Mahayana por ter plantado uma simples semente que acabou germinando e dando origem a uma bela árvore. Gasshô.
- Flávio, você é um verdadeiro Bodhisattva.
Infelizmente não pude retribuir a este irmão no Dharma à altura de suas expectativas por uma série de fatores que agora não vêm ao caso, e sinceramente sinto muito por isso até hoje. O importante é que esta ideia - você é um Bodhisattva - permaneceu sendo ruminada em minha mente, até que há alguns dias tive um insight muito intenso sobre este assunto e "caiu a ficha".
Todos nós somos Bodhisattvas. Todos nós somos Buda. De verdade. Apenas não acordamos para isso ainda. Estamos com o foco nas árvores e por isso não conseguimos ver a floresta.
Por isso, toda vez que minha mente começa a divagar e se enrolar em seus tradicionais emaranhados do tipo "e se acontecesse tal coisa" eu me lembro da frase: "Acorde, Bodhisattva!!" e rapidamente retorno para o aqui-agora. Afinal, como qualquer pessoa, eu sou um Bodhisattva e tenho muito mais o que fazer do que desperdiçar minha energia mental em labirintos ilusórios inúteis.
Fica meu profundo agradecimento a este grande irmão Mahayana por ter plantado uma simples semente que acabou germinando e dando origem a uma bela árvore. Gasshô.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Kyoshu - Prática Forte
No domingo, dia 01 de Abril, a Comunidade Zen Budista de Florianópolis realizou um Zazenkai nas encantadoras dependências do Recanto Champagnat, da ordem Marista.
Neste Zazenkai foi realizada uma cerimônia de Jukai, sob coordenação da Monja Dai-En Roshi, uma das mais importantes e eminentes celebridades da escola Soto-Zen nas américas.
Nesta cerimônia, recebi meu Rakussu e meu nome no Dharma: Kyô-Shû, que quer dizer "Prática Forte".
Kyoshu também é uma das belíssimas ilhas do Japão e até nome de uma famosa missionária de uma igreja messiânica de certa relevância mundial. Mas o que importa é compreender o que é "Prática Forte".
O nome do Dharma pode representar um objetivo, um ponto de atenção ou mesmo uma missão para o praticante. Nesse caso, entendo que preciso dedicar um pouco mais de energia à minha prática.
Neste Zazenkai foi realizada uma cerimônia de Jukai, sob coordenação da Monja Dai-En Roshi, uma das mais importantes e eminentes celebridades da escola Soto-Zen nas américas.
Nesta cerimônia, recebi meu Rakussu e meu nome no Dharma: Kyô-Shû, que quer dizer "Prática Forte".
Kyoshu também é uma das belíssimas ilhas do Japão e até nome de uma famosa missionária de uma igreja messiânica de certa relevância mundial. Mas o que importa é compreender o que é "Prática Forte".
O nome do Dharma pode representar um objetivo, um ponto de atenção ou mesmo uma missão para o praticante. Nesse caso, entendo que preciso dedicar um pouco mais de energia à minha prática.
domingo, 1 de abril de 2012
Cerimônia de Jukai (Rakusu)
Hoje é a cerimônia de Jukai, na qual receberei meu Rakusu pelas mãos da honorável Dai-En Roshi, vinda especialmente dos EUA para esta ocasião. Junto comigo, há uma dúzia de outros praticantes de vários locais que receberão seus Rakussus também.Veja neste endereço o que é a cerimônia de Jukai, e neste outro o que é um Rakusu.
Será um dia muito especial para todos e para toda a Comunidade Zen Budista de Florianópolis. Não consigo lembrar, pelo menos nesses últimos quatro anos, de um Sesshin ou Zazenkai com um número tão grande de inscritos. O local também é maravilhoso: O Recanto Champagnat, no alto do Morro da Lagoa, em Florianópolis.
quinta-feira, 15 de março de 2012
O Dharma, a Caverna e a Luz do Sol
Este é um blog sobre budismo, sobre o Dharma.
Porém, não há coisa mais contraditória do que fazer um blog para falar do Dharma.
O Dharma não pode ser explicado por palavras. Não é possível defini-lo. É como tentar explicar para uma pessoa qual é o gosto do sal. Enquanto a pessoa não sentir, nenhum tipo de explicação poderá ser útil.
Por outro lado, falar sobre o Dharma é a única coisa que podemos fazer para que as outras pessoas se interessem pelo assunto, e assim plantem uma semente em seu inconsciente que talvez um dia, nessa vida ou em vidas futuras, venha a brotar.
Se uma única pessoa que ler estes comentários começar a praticar por causa deles, ficarei realmente muito feliz, pois será mais uma pessoa que estará se libertando das ilusões e apegos de sua mente.
Vou contar uma historinha que passou pela minha cabeça hoje, em um insight muitíssimo interessante. Há semelhanças com outras histórias budistas e também com um famoso trecho da República de Platão, mas esse foi um insight genuíno e não possui nenhuma inspiração nessas histórias, então vou descrevê-lo como o experienciei:
Imagine uma pessoa que nasceu em uma caverna e que jamais tenha visto a luz do sol.
Essa pessoa não sabe sequer que o sol existe.
Em um determinado dia, andando pela sua caverna sob a luz de uma pequena vela, vê alguns desenhos em uma parede, falando de um lugar maravilhoso, iluminado por uma luz de milhões de velas, uma luz chamada Sol. Essas inscrições falam sobre um caminho que tem que ser percorrido para se chegar até o sol.
Ele começa a imaginar coisas sobre esse tal de Sol. Deve ser um Deus, ou talvez um demônio. Então inventa umas orações, faz prostrações e reverências em respeito ao Sol. Resolve dedicar um dia por semana para o Sol, e o chama de Dia do Domínio do Sol. Começa até a escrever poemas e fazer desenhos nas paredes falando do Sol, que é um Deus cruel, vingativo e que esmagará todos aqueles que não se ajoelharem diante dEle.
Certo dia, retornando à mesma sala com as inscrições na parede, percebe que as inscrições mostram o desenho de um mapa, e começa a imaginar se esse caminho realmente não existe, ou seja, que seja realmente possível conhecer pessoalmente essa tal de Luz do Sol.
Ainda cercado de muitas dúvidas, resolveu procurar esse caminho.
Começou a percorrer corredores da caverna pelos quais jamais havia se aventurado. Perdeu-se várias vezes, caiu, tomou desvios errados, mas não desistiu e continuou procurando.
Então, lá no fundo de um corredor muito estreito e de difícil acesso, ele vislumbra uma claridade. Será a luz do sol? Será então que tudo isso é verdade, é real mesmo? Nosso personagem então se anima e passa a percorrer o corredor de difícil acesso em direção à luz.
Precisa andar agachado, rastejar, encher a boca e os olhos de poeira, as pedras machucando os joelhos, as costas raspando no teto, as mãos esfoladas. Mas a cada pequeno avanço, a luz fica mais intensa.
Em vários momentos era tão difícil de prosseguir que ele chegou a pensar em desistir. Mas só o fato de olhar para a frente e ver aquela tênue luminosidade, lá no fundo do corredor, já lhe enchia de energia e ele começava a andar de novo.
Então o corredor começa a ficar um pouco mais amplo, já é possível andar um pouco mais rápido. Já dá para ver sombras e reflexos. Agora a animação toma conta de nosso personagem e sua determinação aumenta. Nada poderá impedi-lo de chegar à tão falada luz do sol.
A alegria toma conta do personagem. A claridade começa a ofuscar a visão. Pela primeira vez na vida, ele vê coisas coloridas: musgo verde, manchas coloridas na pedra, o chão marrom... começa a sentir uma agradável brisa e sons que jamais havia escutado.
Então, ele vislumbra a entrada da caverna, e uma luz tão intensa que não consegue fixar seus olhos nela.
Nesse momento, ele SAI DA CAVERNA e fica inteiramente sob a luz do sol. A alegria é indescritível. Seus olhos vão se acostumando com a luz e ele vê árvores, grama, o céu, as nuvens, os pássaros, os animais, um riacho com água pura e cristalina, o ar puro, o vento, as flores, toda a imensidão da vida se movendo ao seu redor, tudo colorido e iluminado pela majestosa e quente luz do sol, e cada mínimo detalhe de cada momento é de intensa maravilha.
Ele corre pelos campos, prova frutas, bebe da água do rio, molha-se, rola na grama. Sobe nas árvores e brinca com os animaizinhos. Corre e brinca muito, em total êxtase, até cansar.
Então ele olha para trás e vê a sua caverna. Sente um aperto muito grande no coração, pois todas as suas referências estão lá. Todas as suas coisas, as suas ferramentas, suas lamparinas, suas roupas... Ele sente medo. Um medo mortal, pois ele sabe que agora é a hora de cortar o cordão umbilical, de se despedir de sua velha caverna e de iniciar uma nova vida. Ele chora. É muito difícil abandonar tudo aquilo que ele achou que era real. Sua caverna era tão quentinha, tão cômoda, tão segura... Então, ele respira fundo, faz uma profunda reverência à sua caverna, volta-se para a luz e parte para sua caminhada, a fim de conhecer melhor esse lugar maravilhoso e fantástico que sempre esteve à sua volta e que ele sequer imaginava existir.
Ele jamais retornará à sua caverna.
Em sua caminhada, descobre outras cavernas. Dezenas, centenas delas.
Então resolve entrar nessas cavernas. Dentro de cada uma delas tem uma pessoa. Ele pede licença, entra e tenta conversar com essas pessoas, chamar para a luz. Mas essas pessoas também estão presas demais às suas cavernas e não o escutam, em total desconfiança. Mandam-no embora.
Ele tenta em outra caverna. E outra, e outra. Ele sente muito por não ter capacidade de trazer essas pessoas para fora, para ver a luz do sol como ele viu. Mas seria um egoísmo muito grande poder desfrutar da luz do sol e não trazer as outras pessoas para junto de si, para que elas também possam se libertar. Por isso, ele jamais irá desistir de tentar trazer as pessoas à Luz do Sol.
Porém, não há coisa mais contraditória do que fazer um blog para falar do Dharma.
O Dharma não pode ser explicado por palavras. Não é possível defini-lo. É como tentar explicar para uma pessoa qual é o gosto do sal. Enquanto a pessoa não sentir, nenhum tipo de explicação poderá ser útil.
Por outro lado, falar sobre o Dharma é a única coisa que podemos fazer para que as outras pessoas se interessem pelo assunto, e assim plantem uma semente em seu inconsciente que talvez um dia, nessa vida ou em vidas futuras, venha a brotar.
Se uma única pessoa que ler estes comentários começar a praticar por causa deles, ficarei realmente muito feliz, pois será mais uma pessoa que estará se libertando das ilusões e apegos de sua mente.
Vou contar uma historinha que passou pela minha cabeça hoje, em um insight muitíssimo interessante. Há semelhanças com outras histórias budistas e também com um famoso trecho da República de Platão, mas esse foi um insight genuíno e não possui nenhuma inspiração nessas histórias, então vou descrevê-lo como o experienciei:
Imagine uma pessoa que nasceu em uma caverna e que jamais tenha visto a luz do sol.
Essa pessoa não sabe sequer que o sol existe.
Em um determinado dia, andando pela sua caverna sob a luz de uma pequena vela, vê alguns desenhos em uma parede, falando de um lugar maravilhoso, iluminado por uma luz de milhões de velas, uma luz chamada Sol. Essas inscrições falam sobre um caminho que tem que ser percorrido para se chegar até o sol.
Ele começa a imaginar coisas sobre esse tal de Sol. Deve ser um Deus, ou talvez um demônio. Então inventa umas orações, faz prostrações e reverências em respeito ao Sol. Resolve dedicar um dia por semana para o Sol, e o chama de Dia do Domínio do Sol. Começa até a escrever poemas e fazer desenhos nas paredes falando do Sol, que é um Deus cruel, vingativo e que esmagará todos aqueles que não se ajoelharem diante dEle.
Certo dia, retornando à mesma sala com as inscrições na parede, percebe que as inscrições mostram o desenho de um mapa, e começa a imaginar se esse caminho realmente não existe, ou seja, que seja realmente possível conhecer pessoalmente essa tal de Luz do Sol.
Ainda cercado de muitas dúvidas, resolveu procurar esse caminho.
Começou a percorrer corredores da caverna pelos quais jamais havia se aventurado. Perdeu-se várias vezes, caiu, tomou desvios errados, mas não desistiu e continuou procurando.
Então, lá no fundo de um corredor muito estreito e de difícil acesso, ele vislumbra uma claridade. Será a luz do sol? Será então que tudo isso é verdade, é real mesmo? Nosso personagem então se anima e passa a percorrer o corredor de difícil acesso em direção à luz.
Precisa andar agachado, rastejar, encher a boca e os olhos de poeira, as pedras machucando os joelhos, as costas raspando no teto, as mãos esfoladas. Mas a cada pequeno avanço, a luz fica mais intensa.
Em vários momentos era tão difícil de prosseguir que ele chegou a pensar em desistir. Mas só o fato de olhar para a frente e ver aquela tênue luminosidade, lá no fundo do corredor, já lhe enchia de energia e ele começava a andar de novo.
Então o corredor começa a ficar um pouco mais amplo, já é possível andar um pouco mais rápido. Já dá para ver sombras e reflexos. Agora a animação toma conta de nosso personagem e sua determinação aumenta. Nada poderá impedi-lo de chegar à tão falada luz do sol.
A alegria toma conta do personagem. A claridade começa a ofuscar a visão. Pela primeira vez na vida, ele vê coisas coloridas: musgo verde, manchas coloridas na pedra, o chão marrom... começa a sentir uma agradável brisa e sons que jamais havia escutado.
Então, ele vislumbra a entrada da caverna, e uma luz tão intensa que não consegue fixar seus olhos nela.
Nesse momento, ele SAI DA CAVERNA e fica inteiramente sob a luz do sol. A alegria é indescritível. Seus olhos vão se acostumando com a luz e ele vê árvores, grama, o céu, as nuvens, os pássaros, os animais, um riacho com água pura e cristalina, o ar puro, o vento, as flores, toda a imensidão da vida se movendo ao seu redor, tudo colorido e iluminado pela majestosa e quente luz do sol, e cada mínimo detalhe de cada momento é de intensa maravilha.
Ele corre pelos campos, prova frutas, bebe da água do rio, molha-se, rola na grama. Sobe nas árvores e brinca com os animaizinhos. Corre e brinca muito, em total êxtase, até cansar.
Então ele olha para trás e vê a sua caverna. Sente um aperto muito grande no coração, pois todas as suas referências estão lá. Todas as suas coisas, as suas ferramentas, suas lamparinas, suas roupas... Ele sente medo. Um medo mortal, pois ele sabe que agora é a hora de cortar o cordão umbilical, de se despedir de sua velha caverna e de iniciar uma nova vida. Ele chora. É muito difícil abandonar tudo aquilo que ele achou que era real. Sua caverna era tão quentinha, tão cômoda, tão segura... Então, ele respira fundo, faz uma profunda reverência à sua caverna, volta-se para a luz e parte para sua caminhada, a fim de conhecer melhor esse lugar maravilhoso e fantástico que sempre esteve à sua volta e que ele sequer imaginava existir.
Ele jamais retornará à sua caverna.
Em sua caminhada, descobre outras cavernas. Dezenas, centenas delas.
Então resolve entrar nessas cavernas. Dentro de cada uma delas tem uma pessoa. Ele pede licença, entra e tenta conversar com essas pessoas, chamar para a luz. Mas essas pessoas também estão presas demais às suas cavernas e não o escutam, em total desconfiança. Mandam-no embora.
Ele tenta em outra caverna. E outra, e outra. Ele sente muito por não ter capacidade de trazer essas pessoas para fora, para ver a luz do sol como ele viu. Mas seria um egoísmo muito grande poder desfrutar da luz do sol e não trazer as outras pessoas para junto de si, para que elas também possam se libertar. Por isso, ele jamais irá desistir de tentar trazer as pessoas à Luz do Sol.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Mudanças
Nada na vida é estático. Se é estático, não tem vida.
Hoje podemos estar em uma situação confortável, uma boa casa, um bom emprego, um bom carro. Amanhã, tudo isso pode virar de pernas pro ar.
Hoje você pode estar em uma cidade. Amanhã poderá estar em outra, sem qualquer referência, meio perdido, entre pessoas que você não conhece.
A vida é assim mesmo. Ela muda o tempo todo. Não temos domínio sobre isso.
Sabe aqueles planos que fazemos todos os finais de ano, os 'objetivos para o ano novo'? No final de cada ano, encontramos esses planos em alguma gaveta e percebemos que muito pouco daquilo que foi planejado realmente aconteceu. Mas por que? Porque todo dia aparecem situações novas, fatos novos, totalmente imprevistos, que alteram completamente os objetivos inicialmente traçados.
Sábio é aquele que sabe fluir com essas mudanças sem esforço, deixando-se levar pelo fluxo da vida, nadando a favor das correntes. Com essa energia acumulada, realiza grandes obras com pouco esforço. E amanhã, aquelas obras já não são importantes. Novas obras estão sendo realizadas, e assim sucessivamente.
Sem apego, vivendo o aqui-agora, basta seguir o fluxo da vida, aceitando as coisas como são e agindo de acordo com esta corrente.
Cada momento tem guardado dentro de si algo de realmente maravilhoso. O problema é que geralmente não estamos 'conectados' com o momento presente e não percebemos as maravilhas que estão ao nosso redor, a todo instante.
Faça este exercício: Pare agora, por 30 segundos, e apenas observe as coisas à sua volta. Mesmo dentro de um escritório frio, há algo de maravilhoso acontecendo. Se olhar pela janela então, verá o esplendor do dia em toda sua exuberância, os pássaros voando e o sol brilhando (ou a chuva caindo) em seu próprio ritmo silencioso e na mais profunda paz, sem dar qualquer importância à correria insana da sociedade humana. E isso é muito mais do que maravilhoso.
"Cada momento é novo" - Saikawa Roshi
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Cobranças e Obrigações
Tenho percebido que o nível de cobranças, obrigações e responsabilidades aumenta a cada dia.
Isso é muito interessante, pois ao mesmo tempo fico sabendo de casos de pessoas que simplesmente não estão nem aí com a vida e passam os dias de forma totalmente irresponsável e sem qualquer respeito aos seus próximos ou ao meio ambiente onde vive.
Por isso penso que o aumento progressivo das obrigações e responsabilidades é inerente ao avanço no Caminho, pois a cada dia nos tornamos mais conscientes de alguma coisa e portanto adquirimos responsabilidade sobre aquilo que compreendemos.
As pessoas nos cobram uma postura cada vez mais íntegra, mais ética, mais profissional. A sociedade exige resultados, rapidez, agilidade, desempenho, crescimento profissional e financeiro.
Com a mente clara e consciente, apenas baixamos a cabeça para essas novas exigências e dizemos "Hai" - Sim. Aceitamos as novas responsabilidades sem medo e até puxamos para nós responsabilidades que não seriam nossas.
Quando chega o ponto que percebemos que o nível de cobrança é maior do que nossa capacidade de atender às nossas responsabilidades, ao invés de reclamarmos ou de cair em depressão, pelo contrário, pedimos ainda mais responsabilidades e damos mais duro no trabalho.
Alguns ajustes nas rotinas liberam tempo e, com organização e disciplina, conseguimos dar conta do recado.
Alguns dias depois, olhamos para trás e percebemos que vencemos mais um grande desafio, aprendemos, crescemos e nos tornamos seres humanos melhores.
Isso é muito interessante, pois ao mesmo tempo fico sabendo de casos de pessoas que simplesmente não estão nem aí com a vida e passam os dias de forma totalmente irresponsável e sem qualquer respeito aos seus próximos ou ao meio ambiente onde vive.
Por isso penso que o aumento progressivo das obrigações e responsabilidades é inerente ao avanço no Caminho, pois a cada dia nos tornamos mais conscientes de alguma coisa e portanto adquirimos responsabilidade sobre aquilo que compreendemos.
As pessoas nos cobram uma postura cada vez mais íntegra, mais ética, mais profissional. A sociedade exige resultados, rapidez, agilidade, desempenho, crescimento profissional e financeiro.
Com a mente clara e consciente, apenas baixamos a cabeça para essas novas exigências e dizemos "Hai" - Sim. Aceitamos as novas responsabilidades sem medo e até puxamos para nós responsabilidades que não seriam nossas.
Quando chega o ponto que percebemos que o nível de cobrança é maior do que nossa capacidade de atender às nossas responsabilidades, ao invés de reclamarmos ou de cair em depressão, pelo contrário, pedimos ainda mais responsabilidades e damos mais duro no trabalho.
Alguns ajustes nas rotinas liberam tempo e, com organização e disciplina, conseguimos dar conta do recado.
Alguns dias depois, olhamos para trás e percebemos que vencemos mais um grande desafio, aprendemos, crescemos e nos tornamos seres humanos melhores.
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