sexta-feira, 27 de abril de 2012

Você É o Universo

A Natureza Búdica que existe em todos nós não pode ser descrita em palavras, mas é como se fosse todo o Universo.
Quando temos a conexão com nossa Natureza Búdica, estamos conectados com o Universo inteiro. Nós SOMOS o Universo.
Portanto, deste ponto de vista, nossos problemas viram poeira. Desaparecem.
O EU também deixa de fazer sentido. Torna-se um nada, vazio, simplesmente some na vastidão da Natureza Búdica.
Absolutamente não importa se você está vivo ou morto. O Universo continua existindo. E se deixar de existir, também não tem importância alguma.
Por isso, seus problemas são menos do que nada. Há uma imensidão de coisas importantes a serem feitas, uma de cada vez no eterno aqui-agora. Você é grande demais para ficar preso em seu minúsculo mundinho de intrincadas ilusões. Aliás, esse mundinho simplesmente desaparece também. Não faz mais sentido. Você está livre para ser o que é, desde tempos imemoriais, e a exuberância da vida é maravilhosa demais para ficar prestando atenção e gastando energia com coisas minúsculas, com gente morta.
Desperte logo o Bodhisattva que existe em você e conecte-se com a sua Natureza Búdica. Acorde, você é importante demais para ficar dormindo neste pesadelo inútil sem fim, e sem sentido.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Vampiros - Sim, eles existem!

Vampiros existem por todos os lados e estamos cercados por eles.
Claro que não são como os filmes da TV, com capa preta, que chupam sangue e se transformam em morcegos.
São pessoas comuns e muito próximas a nós. Pode ser um pai, mãe, patrão, empregado, namorado(a), esposo(a), vizinho, amigo ou qualquer pessoa em nosso convívio.
Pessoas um pouco mais espiritualizadas ou mais centradas conseguem absorver energia direto do Cosmos. Basta olhar para as pessoas que parecem verdadeiros tratores humanos, grandes empresários, líderes, formadores de opinião, ou simplesmente pessoas altamente carismáticas. Essas pessoas transmutam a própria energia do Universo a seu favor e são hábeis em transformar problemas em oportunidades, mesmo que não tenham consciência disso. Nada as segura.
A maioria das pessoas também absorve essa energia do Universo, porém acaba perdendo-a para os chamados 'vampiros', em maior ou menor grau. A vida às vezes parece travada, não anda, tudo parece ser difícil, seu humor oscila de momentos de alegria para profundas depressões, e a vida segue nos altos e baixos do Samsara.
Uma outra parte das pessoas tem um desenvolvimento espiritual muito baixo, e não conseguem absorver a energia do Universo, pois não estão sintonizadas com Ele. São pessoas egoístas, lamentosas, problemáticas, ávaras, lascivas, por vezes encrenqueiras, briguentas ou que promovem discórdias por onde passam. Como elas não conseguem absorver a energia do Universo suficientemente, precisam absorver a energia das pessoas a seu redor para manter seu equilíbrio. Basta perceber que após gerar uma discussão acalorada entre duas pessoas, essas duas pessoas ficam um lixo e a pessoa que provocou a discórdia sai numa boa. Isso é fato, não é viagem de bicho-grilo pseudo-esotérico.
Normalmente não percebemos que nossa energia está sendo vampirizada. Precisamos treinar, prestar atenção em nosso nível de energia e perceber quando esse nível está rapidamente diminuindo. Se estivermos atentos, perceberemos: Opa, tem alguém me vampirizando! Ao procurar a causa dessa perda de energia, certamente perceberemos que estamos conversando sobre algum assunto com alguém e nessa conversa estamos sendo sugados, ficando irritados, e por mais que tentemos vencer a conversa por argumentos, a situação piora, pois estamos gerando mais energia para ser vampirizada, até que a gente perde o controle, se irrita, ou se sente vencido, um trapo. Temos sono, queremos dormir ou até mesmo sentimos vontade de morrer, de ir embora, de sumir do mapa. Energia esgotada.
Ao perceber que estamos sendo vampirizados, imediatamente precisamos mudar de assunto, desconversar e NOS AFASTAR DA PESSOA o mais rápido possível. Não devemos tentar argumentar. Não há argumentos contra um vampiro, ele sempre vai ganhar na guerra dos argumentos. Ele sempre estará certo, ele é mais forte. Você será metralhado com argumentos de tal forma que perderá energia somente ao tentar acompanhar a linha de raciocínio dele. O melhor a fazer é ficar longe.
Outra forma de vampirizar nossa energia é sugando recursos materiais. Os advogados são muito hábeis nisso.
Também há aqueles que vampirizam pela luxúria, pelo sexo, pelo desejo sensual. Ninfomaníacos, masoquistas ou simplesmente pessoas descontroladas. Fazem tanto sexo e com tal volúpia, intensidade e frequência que acaba minando completamente as energias do parceiro.
Precisamos ressaltar que os vampiros são pessoas normais que estão ao nosso redor e não fazem a mínima idéia que são vampiros. Você mesmo pode ser um sem perceber. Geralmente os vampiros não têm essa noção, nem a mínima condição para perceber essa troca de energia. Salvo os vampiros 'profissionais' que vampirizam conscientemente, mas é muito raro encontrar um deles. A não ser que você vá para Brasília...
Somente se você estiver em um nível bastante avançado no seu Caminho Espiritual, e com energia suficiente, você poderá ajudar os vampiros, fazendo-os perceber o que estão fazendo e promovendo uma mudança de atitude. De qualquer outra forma, a receita básica é: Fique bem longe dessas pessoas.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Música da Rodovia

Nos últimos quinze dias tenho precisado me concentrar muito no trabalho para cadastrar produtos em uma loja virtual. Faço isso muito melhor e mais rápido escutando música, então há uns quinze dias tenho ouvido música (de vários gêneros pois sou bem eclético) umas oito horas por dia.

Lá pela quinta feira da semana passada, na minha costumeira meditação do meio-dia, estava a observar o tráfego intenso nas vias marginais da BR 101. Mente serena, calma, tudo certo, somente o trânsito caótico, como caótica é a própria vida.

Percebi então que a música certa para cada momento é exatamente o som que estiver acontecendo nesse determinado instante, seja ele qual for. O ruído de uma cachoeira é a mais perfeita das músicas para quem está lá. O coachar dos sapos e o cri-crilhar dos grilos também. O som longo, bucólico e monótono das cigarras também é uma maravilhosa música para os ouvidos que estão no momento presente.

Da mesma forma, pode parecer insano, mas o barulho dos carros, motos, caminhões e sei-lá-o-quês que transitam desabestadamente pela rodovia também compõem uma bela melodia! Sim, o barulho de uma rodovia é a própria música da rodovia. Está perfeito assim. Com cheiro de diesel queimado, palacas de freios e pneus fritando, de brinde.

Para os que acham simplesmente impossível que o insuportável barulho de uma rodovia seja uma bela música, recomendo tentar aceitar a vida como ela é e as coisas como são a cada momento, mesmo que o trânsito caótico nos cause taquicardia. Foi assim que percebi que a música da rodovia é perfeita do jeito como é. Como toda música, ela exprime um momento, um sentimento (mesmo que seja a pressa, intolerância e impaciência) e ao re-escutar a música nosso corpo sente e reproduz este sentimento.

Se alguém quiser, posso gravar um MP3 com uma hora de barulho da rodovia. Pode ser uma meditação bem interessante... :)

Acorde, Bodhisattva!!

Um irmão no Dharma a quem devo o maior respeito comentou comigo há cerca de dois anos:
- Flávio, você é um verdadeiro Bodhisattva.
Infelizmente não pude retribuir a este irmão no Dharma à altura de suas expectativas por uma série de fatores que agora não vêm ao caso, e sinceramente sinto muito por isso até hoje. O importante é que esta ideia - você é um Bodhisattva - permaneceu sendo ruminada em minha mente, até que há alguns dias tive um insight muito intenso sobre este assunto e "caiu a ficha".
Todos nós somos Bodhisattvas. Todos nós somos Buda. De verdade. Apenas não acordamos para isso ainda. Estamos com o foco nas árvores e por isso não conseguimos ver a floresta.
Por isso, toda vez que minha mente começa a divagar e se enrolar em seus tradicionais emaranhados do tipo "e se acontecesse tal coisa" eu me lembro da frase: "Acorde, Bodhisattva!!" e rapidamente retorno para o aqui-agora. Afinal, como qualquer pessoa, eu sou um Bodhisattva e tenho muito mais o que fazer do que desperdiçar minha energia mental em labirintos ilusórios inúteis.
Fica meu profundo agradecimento a este grande irmão Mahayana por ter plantado uma simples semente que acabou germinando e dando origem a uma bela árvore. Gasshô.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Kyoshu - Prática Forte

No domingo, dia 01 de Abril, a Comunidade Zen Budista de Florianópolis realizou um Zazenkai nas encantadoras dependências do Recanto Champagnat, da ordem Marista.
Neste Zazenkai foi realizada uma cerimônia de Jukai, sob coordenação da Monja Dai-En Roshi, uma das mais importantes e eminentes celebridades da escola Soto-Zen nas américas.
Nesta cerimônia, recebi meu Rakussu e meu nome no Dharma: Kyô-Shû, que quer dizer "Prática Forte".
Kyoshu também é uma das belíssimas ilhas do Japão e até nome de uma famosa missionária de uma igreja messiânica de certa relevância mundial. Mas o que importa é compreender o que é "Prática Forte".

O nome do Dharma pode representar um objetivo, um ponto de atenção ou mesmo uma missão para o praticante. Nesse caso, entendo que preciso dedicar um pouco mais de energia à minha prática.


domingo, 1 de abril de 2012

Cerimônia de Jukai (Rakusu)

Hoje é a cerimônia de Jukai, na qual receberei meu Rakusu pelas mãos da honorável Dai-En Roshi, vinda especialmente dos EUA para esta ocasião. Junto comigo, há uma dúzia de outros praticantes de vários locais que receberão seus Rakussus também.

Veja neste endereço o que é a cerimônia de Jukai, e neste outro o que é um Rakusu.

Será um dia muito especial para todos e para toda a Comunidade Zen Budista de Florianópolis. Não consigo lembrar, pelo menos nesses últimos quatro anos, de um Sesshin ou Zazenkai com um número tão grande de inscritos. O local também é maravilhoso: O Recanto Champagnat, no alto do Morro da Lagoa, em Florianópolis.




quinta-feira, 15 de março de 2012

O Dharma, a Caverna e a Luz do Sol

Este é um blog sobre budismo, sobre o Dharma.
Porém, não há coisa mais contraditória do que fazer um blog para falar do Dharma.
O Dharma não pode ser explicado por palavras. Não é possível defini-lo. É como tentar explicar para uma pessoa qual é o gosto do sal. Enquanto a pessoa não sentir, nenhum tipo de explicação poderá ser útil.
Por outro lado, falar sobre o Dharma é a única coisa que podemos fazer para que as outras pessoas se interessem pelo assunto, e assim plantem uma semente em seu inconsciente que talvez um dia, nessa vida ou em vidas futuras, venha a brotar.
Se uma única pessoa que ler estes comentários começar a praticar por causa deles, ficarei realmente muito feliz, pois será mais uma pessoa que estará se libertando das ilusões e apegos de sua mente.
Vou contar uma historinha que passou pela minha cabeça hoje, em um insight muitíssimo interessante. Há semelhanças com outras histórias budistas e também com um famoso trecho da República de Platão, mas esse foi um insight genuíno e não possui nenhuma inspiração nessas histórias, então vou descrevê-lo como o experienciei:

Imagine uma pessoa que nasceu em uma caverna e que jamais tenha visto a luz do sol.
Essa pessoa não sabe sequer que o sol existe.
Em um determinado dia, andando pela sua caverna sob a luz de uma pequena vela, vê alguns desenhos em uma parede, falando de um lugar maravilhoso, iluminado por uma luz de milhões de velas, uma luz chamada Sol. Essas inscrições falam sobre um caminho que tem que ser percorrido para se chegar até o sol.
Ele começa a imaginar coisas sobre esse tal de Sol. Deve ser um Deus, ou talvez um demônio. Então inventa umas orações, faz prostrações e reverências em respeito ao Sol. Resolve dedicar um dia por semana para o Sol, e o chama de Dia do Domínio do Sol. Começa até a escrever poemas e fazer desenhos nas paredes falando do Sol, que é um Deus cruel, vingativo e que esmagará todos aqueles que não se ajoelharem diante dEle.
Certo dia, retornando à mesma sala com as inscrições na parede, percebe que as inscrições mostram o desenho de um mapa, e começa a imaginar se esse caminho realmente não existe, ou seja, que seja realmente possível conhecer pessoalmente essa tal de Luz do Sol.
Ainda cercado de muitas dúvidas, resolveu procurar esse caminho.
Começou a percorrer corredores da caverna pelos quais jamais havia se aventurado. Perdeu-se várias vezes, caiu, tomou desvios errados, mas não desistiu e continuou procurando.
Então, lá no fundo de um corredor muito estreito e de difícil acesso, ele vislumbra uma claridade. Será a luz do sol? Será então que tudo isso é verdade, é real mesmo? Nosso personagem então se anima e passa a percorrer o corredor de difícil acesso em direção à luz.
Precisa andar agachado, rastejar, encher a boca e os olhos de poeira, as pedras machucando os joelhos, as costas raspando no teto, as mãos esfoladas. Mas a cada pequeno avanço, a luz fica mais intensa.
Em vários momentos era tão difícil de prosseguir que ele chegou a pensar em desistir. Mas só o fato de olhar para a frente e ver aquela tênue luminosidade, lá no fundo do corredor, já lhe enchia de energia e ele começava a andar de novo.
Então o corredor começa a ficar um pouco mais amplo, já é possível andar um pouco mais rápido. Já dá para ver sombras e reflexos. Agora a animação toma conta de nosso personagem e sua determinação aumenta. Nada poderá impedi-lo de chegar à tão falada luz do sol.
A alegria toma conta do personagem. A claridade começa a ofuscar a visão. Pela primeira vez na vida, ele vê coisas coloridas: musgo verde, manchas coloridas na pedra, o chão marrom... começa a sentir uma agradável brisa e sons que jamais havia escutado.
Então, ele vislumbra a entrada da caverna, e uma luz tão intensa que não consegue fixar seus olhos nela.
Nesse momento, ele SAI DA CAVERNA e fica inteiramente sob a luz do sol. A alegria é indescritível. Seus olhos vão se acostumando com a luz e ele vê árvores, grama, o céu, as nuvens, os pássaros, os animais, um riacho com água pura e cristalina, o ar puro, o vento, as flores, toda a imensidão da vida se movendo ao seu redor, tudo colorido e iluminado pela majestosa e quente luz do sol, e cada mínimo detalhe de cada momento é de intensa maravilha.
Ele corre pelos campos, prova frutas, bebe da água do rio, molha-se, rola na grama. Sobe nas árvores e brinca com os animaizinhos. Corre e brinca muito, em total êxtase, até cansar.
Então ele olha para trás e vê a sua caverna. Sente um aperto muito grande no coração, pois todas as suas referências estão lá. Todas as suas coisas, as suas ferramentas, suas lamparinas, suas roupas... Ele sente medo. Um medo mortal, pois ele sabe que agora é a hora de cortar o cordão umbilical, de se despedir de sua velha caverna e de iniciar uma nova vida. Ele chora. É muito difícil abandonar tudo aquilo que ele achou que era real. Sua caverna era tão quentinha, tão cômoda, tão segura... Então, ele respira fundo, faz uma profunda reverência à sua caverna, volta-se para a luz e parte para sua caminhada, a fim de conhecer melhor esse lugar maravilhoso e fantástico que sempre esteve à sua volta e que ele sequer imaginava existir.
Ele jamais retornará à sua caverna.
Em sua caminhada, descobre outras cavernas. Dezenas, centenas delas.
Então resolve entrar nessas cavernas. Dentro de cada uma delas tem uma pessoa. Ele pede licença, entra e tenta conversar com essas pessoas, chamar para a luz. Mas essas pessoas também estão presas demais às suas cavernas e não o escutam, em total desconfiança. Mandam-no embora.
Ele tenta em outra caverna. E outra, e outra. Ele sente muito por não ter capacidade de trazer essas pessoas para fora, para ver a luz do sol como ele viu. Mas seria um egoísmo muito grande poder desfrutar da luz do sol e não trazer as outras pessoas para junto de si, para que elas também possam se libertar. Por isso, ele jamais irá desistir de tentar trazer as pessoas à Luz do Sol.